quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Ministério do nosso descontentamento

Estive uma semana fora, sem notícias lidas ou ouvidas sobre Portugal, excepto sobre futebol (queixamo-nos da nossa televisão, mas a italiana não é melhor).
Ainda não tinha entrado em território português (o avião da TAP), tive acesso a jornais nacionais e cheguei à conclusão de que mudara a relação ME - escolas e professores; estava tudo pior.
Apesar de, em termos de princípios, estar de acordo com algumas "reformas" necessárias, não posso estar mais em desacordo, não só com o seu conteúdo, mas em particular com a forma como foram introduzidas.
De facto, a Sr-ª ministra entrou mal e o que nasce torto...
A estratégia populista de "ganhar a população" à custa de "perder os professores" inquinou a relação.
O "vírus" que se instalou espalhou-se por todo o país, provocando uma verdadeira epidemia, cuja forma de tratamento está longe de ser descoberta. O "vírus" chama-se "concurso para professores titulares" e levou à desorganização das células (escolas/agrupamentos) de tal forma que cada um do seus componentes ficou desorientado, baralhando os papéis. Professores com vários anos de experiência e reconhecidamente competentes foram preteridos por outros que, nas escolas, toda a gente sabe que não são tão competentes, ou são mesmo incompetentes, e irão ser avaliados por estes. Haverá melhor razão para estar contra esta avaliação? O que está fundamentalmente em causa não é tanto o modelo nem a forma de concretização do mesmo; a raiz do problema está no concurso que o antecedeu.
É certo que os professores têm alguma responsabilidade nisto, em particular as organizações sindicais que nunca foram capazes de lutar por uma verdadeira carreira docente, em que os professores sentissem que o seu esforço e dedicação eram valiosos e reconhecidos, tornando a progressão na carreira um processo meramente burocrático, apesar da existência de um processo de avaliação.
Têm culpa os professores que, não vendo qualquer vantagem no desempenho de certas funções, tentavam escapar ao desempenho de cargos que lhes traziam mais responsabilidades e nenhumas vantagens?
Culpa tem a tutela que permitiu que, ao longo de dezenas de anos, o trabalho daqueles que mantiveram a escola pública com prestígio, apesar dos ziguezagues do ME, não fosse reconhecido.
Comparam-nos com os outros países da UE. Não podemos esquecer, no entanto, que o nosso ponto de partida era muito inferior ao dos outros; é que foi só na década de 60 que, em Portugal, a escolaridade obrigatória de 4 anos foi aplicada às mulheres!... E há países onde não há analfabetismo desde o séc. XIX...
Um ministério (vários!) que não regulamenta as leis e permite que um professor que requereu a menção de excelente, porque isso o faria progredir mais rapidamente na carreira, apenas tenha resposta a esse seu pedido passados vários anos, quando ela já nada contribuía para a sua progressão porque o decorrer do tempo já lha tinha dado (casos houve em que o professor requerente já tinha morrido), não tem culpas nenhumas? E os burros são os professores?
São, porque permitiram, com a sua inércia, que o sistema de ensino público fosse sendo desacreditado demagogicamente com o "chavão" de que não havia avaliação, porque os professores não queriam.
E vem agora este ministério "introduzir a avaliação"? Engana a população, mas, como é bem visível, não engana os professores.
Em 13 de Dezembro de 2008:
Eu nem queria acreditar naquilo que vi hoje de manhã... Então não é que encontraram 13 (treze!) professores que estão de acordo com este modelo de avaliação já simplificado, claro. Eu até talvez estivesse, se não tivesse havido aquele concurso para professores titulares... Mas não haverá vergonha em divulgar este n.º? Fizeram contas? É que 13 é 0,01% de 130 000!
Quem passa pelas escolas e fala com os professores, não encontra estas "aves raras". Cuidado! os animais raros, em vias de extinção, merecem cuidados especiais das "sociedades protectoras".

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Férias intercaladas 3

Finalmente, seguindo o lema de Obama "Yes, we can", conseguimos ir até Itália. Tendo Milão como ponto de partida e de chegada, em virtude do aeroporto, visitámos Turim, Génova e Bérgamo. Nas deslocações entre as cidades utilizámos sempre o comboio; a rede ferroviária é muito rica, os comboios são confortáveis e têm grande utilização.
Turim é uma cidade cujo centro histórico tem uma estrutura urbana muito interessante, recheada de arcadas, de cujas ruas se podem ver os cumes nevados do Alpes, servida pelo rio Pó. Surpreenderam-me o Museu Egípcio, de inesperada dimensão e recheio, as enormes praças onde decorrem os mais variados eventos (exposições, espectáculos), para além de intervenções artísticas em vários locais da cidade, (instalações escultóricas mas também outras tendo por base a luz, que, nesta altura do ano, até podem ser confundidas com iluminações natalícias). Por outro lado, para além das lojas das marcas mais conceituadas a nível nacional e internacional, a cidade conserva alguns estabelecimentos comerciais dos finais do séc. XIX, nomeadamente pastelarias, geladarias e chocolatarias, com a decoração da época e produtos de grande qualidade. Foi este ano Capital Mundial do Design. Na parte moderna, visitámos a zona olímpica (Jogos Olímpicos de Inverno 2006), com o Arco Olímpico como "vedeta", mas em que ficaram várias estruturas desaproveitadas.

Em Génova, para além do emaranhado de ruas e ruelas da sua "Baixa", com comércio etnicamente muito rico, é impressionante o Porto Antigo, rejuvenescido quando a cidade foi Capital Europeia da Cultura. São centenas de iates e de barcos de grandes dimensões que vemos atracados nas várias áreas da baía; foram aproveitados alguns dos edifícios portuários para fins culturais e comerciais. A estrutura urbana da cidade é muito curiosa, uma vez que a cidade se espalha do porto até à montanha, tendo-se aceso à parte alta através de elevadores, um dos quais tem a particularidade de ter um percurso horizontal seguido de outro vertical. Eram evidentes as acções de luta dos estudantes universitários, com ocupação de faculdades e colocação, nas fachadas das mesmas, de grandes faixas com palavras de ordem e convocatórias para concentrações e manifestações, lembrando o que se passou nas nossas crises académicas.Bérgamo foi vista muito rapidamente, uma vez que lhe dedicámos apenas um dia (deslocação de ida e volta a partir de Milão), ainda por cima um pouco chuvoso. É uma cidade com uma estrutura urbana original, uma vez que tem uma "Cidade Alta" (cidade antiga) e uma "Cidade Baixa", bem definidas. A ligação entre as duas faz-se através de funiculares. Apenas visitámos a Alta, percorrendo as suas ruas e praças e vendo os principais monumentos.

A viagem acabou com uma visita ao Museu de Design, na Trienal de Milão, com uma exposição de design italiano, muito bem organizada.

sábado, 1 de novembro de 2008

Escapadinha

(escrito, mas não publicado na devida altura, teve de sofrer algumas alterações)
Duvidei da existência de uma terceira etapa de férias e, até há muito poucos dias, não me enganei. Tínhamos tudo marcado para ir a Itália passar uma semanita, em Outubro, mas...falhou. Desmarcou-se tudo ainda mais em cima da hora do que a respectiva marcação. De facto, não fomos a Itália, mas aproveitámos dois dias para ir para fora cá dentro, numa escapadinha ao Alto Alentejo. Há que tempos não andava por aquelas bandas!
"Flor da Rosa", junto à vila do Crato, mereceu visita e a Pousada é excelente. Portalegre, onde já tínhamos estado há mais de 25 anos, está rejuvenescida; apenas o Plátano dá sinais de avançada idade (170 anos!), com necessidade de várias "muletas" para se aguentar de pé.

As tapeçarias de Portalegre voltaram a encantar-me, agora instaladas num museu com estrutura interior moderna, aproveitando um edifício antigo. Arraiolos, os seus tapetes, a sua gastronomia e a Pousada de N.ª S.ª da Assunção valeram também uma visita. Pena foi não podermos saborear os petiscos que, nesse dia, estariam no Festival de Gastronomia Regional e no Concurso de empadas. No regresso a casa fomos à descoberta do Fluviário de Mora e, pelo sim pelo não, no caso de não irmos a Itália, sempre vimos Pavia...