terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Dia nacional da cultura científica

A efeméride de hoje é uma homenagem ao professor Rómulo de Carvalho.
Lembro-o como poeta:

Máquina do Mundo

O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto, é a matéria.

Daí, que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.

António Gedeão

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Os meus saldos

Neste dia cinzento do Outono que tardava, inspirada na leitura da Rosa, resolvi voltar aqui.
Hoje falei como é habitual, telefonicamente, com os meus netos. Ele entrou este ano para o 1º ciclo e eu receava que, ainda sem os 6 anos feitos (já os fez entretanto), ainda não tivesse maturidade para enfrentar este desafio. A alegria que manifesta em cada dia por ter aprendido mais uma pequena coisa é deliciosa. Hoje aprendeu o 3 (algarismo e palavra) e lá soletrou, muito contente, as letras da palavra três.
Talvez por isso lembrei-me dos meus professores primários, como então se chamavam, os primeiros que tive. Não tive educadores de infância, que era "coisa" que eu nem sequer sabia que existia, à época. Estranhamente (o meu pai desconfiava do ensino particular), frequentei uma escola privada já que funcionava no meu bairro, em Lisboa, e a situação profissional dos meus pais não facilitava a frequência da escola oficial para onde era necessário ir de eléctrico. Tive um casal de professores, que, sendo-o no ensino oficial, tinham uma pequena escola particular no rés do chão de um prédio vulgar, próximo da casa de pasto (pomposamente chamada Cervejaria) propriedade dos meus pais, onde trabalhavam a tempo inteiro até altas horas da noite. Não tinha casa como as outras meninas (a escola era exclusivamente feminina, tal como o liceu que frequentei depois); o estudo e os trabalhos de casa eram feitos na sala das refeições da dita Cervejaria, quando a frequência o permitia. Mas já sabia ler, quando fui para a escola, fruto da minha curiosidade e da ajuda de uns clientes cuja filha frequentava a Universidade e "puxava por mim". Curiosamente, o professor foi o primeiro Hamilton que conheci; o segundo foi o meu marido.O professor Hamilton era um sportinguista ferrenho. Quando o Sporting perdia num domingo, na 2ª feira era muito difícil de aturar... A professora era a D. Celeste, muito magrinha e elegante. Excelentes professores!
Infelizmente não poderei dizer o mesmo de muitas das professoras que fui tendo ao longo dos sete anos em que frequentei o liceu.
Normalmente, lembramos apenas os professores muito bons ou os muito maus; no meu caso, tive mais nesta última categoria. É por isso que, quando ouço dizer que antigamente é que se ensinava, que havia respeito pelos professores, me dá vontade de rir.
Quando uma professora era gozada descaradamente perante toda a turma pelas mais diversas razões; quando era possível aprender a jogar o "King" enquanto a professora dava a aula; quando várias alunas saíam da sala durante a mesma, sem que a professora dissesse uma palavra; quando durante dois anos nunca foi feito na aula um único problema cuja solução coincidisse com a que o livro continha; quando uma professora comprava o peixe à peixeira que passava na rua com uma canastra e o guardava na boina que antes usara na cabeça; quando não apetecia ter aula e se chateava a professora até ela nos levar ver um filme (sempre o Parque de Yellowstone); quando a professora de Inglês dizia "parapes" querendo referir-se ao nosso talvez; quando., quando, quando... Então havia respeito? Ensinava-se bem?
As crianças e os jovens vão fazendo as suas experiências e esticam a corda o mais possível; vão até onde os deixam, não só com os professores, também com os pais.
Mas são os pais os principais responsáveis pela educação das crianças e dos jovens. Os professores podem e devem ser colaboradores nessa tarefa sempre difícil, mas o tipo de dificuldades vai-se alterando em função do momento histórico em que se vive.
Não é por acaso que circulam textos escritos em diferentes épocas que nos parecem tão actuais, que podiam ter sido escritos hoje. E a crise da escola está sempre presente. Faz parte da sua essência.
Felizmente aposentei-me como professora sem qualquer ideia negativa sobre os jovens, talvez por ter tido a sorte de encontrar nas minhas turmas alunos que eram excelentes pessoas, o que é bem mais importante que serem bons alunos, como diz e bem uma amiga e colega de profissão. Tenho bem mais razões de queixa de alguns adultos com os quais me cruzei na vida profissional nas diversas funções que, ao serviço da educação e do ensino, fui desempenhando.
Como em tudo na vida, há bons e maus; no meu caso, o saldo foi positivo para os alunos e negativo para os professores.

sábado, 10 de Outubro de 2009

Finalmente!

Pois é. Desta vez saímos mesmo de Portugal, para além dos Pirenéus; fomos até Paris.
Ao contrário do habitual, fomos de comboio; a gripe e os eventuais cuidados excessivos, nos aeroportos, para além do meu "descanso" quando viajo de avião, levou-nos a pensar nesta variante. Como temos um amigo mais velho do que nós que gostava de conhecer Paris mas não anda de avião (eu ainda ando, apesar do desassossego permanente), resolvemos desafiá-lo a ir connosco; apesar de alguma hesitação inicial, acabou por aceitar. E lá fomos os três "velhotes" no Sud-Expresso até Hendaye e no TGV até Paris. Com esta experiência fiquei mais adepta do TGV (ou outra coisa que lhe queiram chamar, desde que seja um comboio que se desloque a grande velocidade e sem excesso de ruído e de "tremuras").
Apesar de ter alguns amigos, e até familiares, em Paris, não demos conhecimento da viagem, resolvendo andar à solta, sem compromissos de encontros, à re(descoberta) da cidade.
Num local inesperado, neste caso as grades dos Jardins do Luxemburgo, fomos surpreendidos por uma exposição de fotografias de vários locais e pessoas da Ásia, com legendas tão belas quanto as imagens. Eis a primeira das fotos da exposição e o poema que a legendava:


O que mais me surpreendeu relativamente à minha última visita, em 1997, foi o crescimento de La Défense, com edifícios de arquitectura arrojada e com efeitos surpreendentes provocados pela reflexão de alguns edifícios nas superfícies espelhadas de outros. As imagens que se seguem servem de exemplo:

Foi uma viagem muito agradável, com uma óptima temperatura, alguma chuva, mas apenas em dois dos seis dias em que lá estivemos e durante pouco tempo (fomos sabendo que em Portugal a situação meteorológica era pior).
Apenas um episódio negativo: o nosso amigo ficou sem os documentos, numa das viagens de metro, mas felizmente não lhe levaram dinheiro nem cartões de crédito. Curiosamente, levaram-lhe também um frasquinho de gel desinfectante, pelo que as quatro raparigas que deram o golpe característico nestas situações terão a garantia de não serem contaminadas. Felizmente, no consulado, em meio dia foi possível obter um documento de identificação para o resto da visita e da viagem.
A partir de 2ª feira volta-se à rotina, mas hoje é dia de cumprir o dever cívico. Vamos ver se vale a pena!

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Ao Daniel - A tua alma era uma orquestra!

Vi-te pela primeira vez no concurso "Jovens Talentos", que ganhaste no Orfeão de Leiria, cujo prémio principal foi tocares como solista da Orquestra que se apresentou no Convento da Portela, no Concerto de final do ano lectivo de 2005/06. Logo a seguir, foste vencedor no Concurso nacional promovido pela Antena 2, se não erro.
Eras um menino ainda, jovem e lindo adolescente, com as qualidades que justificaram os prémios, com uma suposta longa vida de êxitos pela frente.
Rapidamente a vida deu uma reviravolta e ficaste gravemente doente. Sabemos que lutaste para vencer a doença e todos "fizemos força" para ultrapassares esse obstáculo; mas outros rapidamente se seguiram até que, agora, já não podemos "torcer" mais. Só com a dor de te ver partir.
Obrigada pelos lindos momentos que partilhaste connosco e que fazem com que não fiques, de facto, longe do nosso coração.
Felizes os que acreditam que vais para um sítio melhor e, quem sabe, vais tocar na grande Orquestra de Anjos que velam por nós, os "desafinados" que "também têm coração"... Por mim, gostava!

sábado, 19 de Setembro de 2009

A minha alma é uma orquestra!

Hoje apeteceu-me apenas copiar este poema, tal como consta do blog da minha amiga Amélia Pais, que decerto me perdoará o "copianço".

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

O comentador "Zangado"

Há muito tempo que estranho as afirmações, sempre pessimistas e maldispostas, do comentador Medina Carreira. Não é que a situação seja de molde a acreditarmos que vivemos num oásis da crise que grassa no mundo, mas ao ouvi-lo, e porque no diagnóstico quase toda a gente concorda com ele, ficamos com a certeza de que não há saída para este triste país, que arrancou para a democracia com muitas décadas de atraso e nem sempre soube aproveitar da melhor maneira as oportunidades que teve.
Ao ler a entrevista que deu à Visão da semana passada, encontrei algumas possíveis razões para algumas das suas posições de zangado, que passo a enumerar: foi educado dos 10 aos 18 anos nos Pupilos do Exército; tirou um Curso médio de Engenharia, contrariamente ao que pretendia (Economia?); cursou Direito, enquanto trabalhador-estudante, porque era o curso que podia tirar naquelas condições. Só mais tarde se dedicou à Economia. Mesmo sem saber nada de psicologia, com este currículum educativo, entendo a sua posição de zangado com a vida.
É no reino da Economia que ele tem soluções para todos os sectores do país. Quem quiser dar-lhe a tal hora e meia de tempo de antena de que ele precisa, contribuirá para fazer entender ao povo o seu programa para o salvar. Disto eu não duvido; agora que esse programa seja aplicável na prática, aí já tenho muitas dúvidas (tenho-as em muitos sectores, felizmente).

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Apple Parade

Já tinha lido qualquer coisa nos jornais da terra sobre uma Apple Parade, para promoção da maçã de Alcobaça, motivo de inspiração para o festival da gastronomia deste ano. Infelizmente, não pude usufruir das iguarias "maçãnicas". Na semana passada tive de ir ao centro da cidade, à CGD, e vi umas maçãs que me despertaram curiosidade. Tive pena de não levar comigo uma máquina fotográfica (dei-me então conta de que uso sempre a máquina, quando saio de Leiria, e não tenho fotografado as belezas da cidade). Prometi a mim mesma que no dia seguinte iria fotografar as maçãs e alguns recantos e monumentos da cidade. A quem viu, dou a oportunidade de recordar; quem não viu, pode ficar com uma ideia. Aí está, pois, uma amostra das maçãs decoradas por alunos de escolas do distrito, alguns professores e artistas plásticos.
Para enquadramento, começo por uma foto do nosso Castelo, vista do Pastor Peregrino.
As fotos das maçãs estão por ordem inversa do percurso efectuado. (O que eu sofri para as colocar aqui!)