quarta-feira, 28 de abril de 2010

O meu pinheiro

Cessada a actividade profissional dos meus pais, eles regressaram à aldeia natal do meu pai, Aveloso do Sul, no concelho de S. Pedro do Sul, a mesma aldeia onde eu nasci. Depois da morte do meu pai, fizemos algumas obras, de modo a melhorar as condições da casa e podermos passar lá alguns dias de desanso e os nossos netos (meus e da minha irmã) poderem estar em contacto próximo com a natureza e apreciar a sua beleza e importância. Ainda lá temos alguns familiares a viver, poucos, e progressivamente a população vai desaparecendo, como na maioria das aldeias do interior.
Numa zona em que o pinhal impera, apesar da devastação que os sucessivos fogos provocaram, os pinheiros (bravos) lá vão "repovoando" as serras.
Para além da casa, temos um quintal de área razoável, que o meu pai, enquanto pôde, cultivou com muita dedicação, retirando dele quantidades incríveis, tendo em conta a respectiva área, das novidades vegetais de cada época, tendo imensa vaidade em conseguir ser o primeiro a poder colher o feijão verde, a alface, o tomate, os morangos e outros pequenos mimos que distribuía pelos vizinhos e familiares que ainda lá habitavam.
Sempre gostei de ter um pinheiro naquele terreno e muitas vezes sugeri ao meu pai a plantação de um no quintal, mas ele não dava grande saída à ideia. De facto, a presença do dito impedia a utilização intensiva do potencial agrícola do pequeno terreno.
Mas porquê esta ideia do pinheiro? Em primeiro lugar pelo facto de ser uma árvore a cujo nome está ligado o nome da minha família; em segundo, porque se trata de uma espécie vegetal comum às duas zonas geográficas a que estou ligada - a das minhas origens e aquela em que vivo há mais de quarenta anos.
Com a morte do meu pai, há cinco anos, tudo mudou; já não há quem cultive o quintal e, portanto, não há entraves para a presença de um pinheiro.
Assim, quando terminaram as obras e os resíduos resultantes das mesmas foram retirados, pedi a um dos meus tios que plantasse um pinheiro no meio do terreno; tentando associar, vegetalmente falando, a aldeia onde nasci e a zona em que vivo, optei pelo pinheiro manso, cuja copa é mais acolhedora para o espaço a que dará sombra. E agora tenho o "meu pinheiro", já quase do meu tamanho, portanto pequeno ainda, como podem ver na foto. Quando lá vou, fotografo-o para companhar e registar o seu crescimento, esperando que os meus netos ainda possam vir a brincar ou a namorar, quem sabe, sob a sua sombra.

5 comentários:

Rosa dos Ventos disse...

A brincar, a namorar, a piquenicar, a repousar...
Tanta coisa que se pode fazer à sombra de um pinheiro...mesmo pequenino! :-))

Abraço

carol disse...

"Ai flores de verde pino..." somos um país de pinhais e de poetas.

map disse...

Fiz tudo o que a Rosa diz, particularmente no Pinhal de Leiria. É que os pinhais da família ficavam todos lá muito em cima, a caminho da Serra de S. Macário, por sinal protector dos tolinhos (se eu lá fosse, talvez me tivesse feito bem!).
Bjs

map disse...

Ó Carol! (lembras-te da canção?)

Somos, de facto.
Quanto a poetas, é fácil de verificar no teu blog. Será que vais ser mais uma da "semeadora de poemas", como já chamaram à Amélia?
Bjs

fernanda s.m. disse...

Sabes, Adelaide ? Gosto tanto de pinheiros mansos... que, na altura de uma reflorestação quase obrigatória que fizemos numas territas aqui perto, havia um velho pinhal que nunca dava nada porque passam por cima linhas da EDP e esta,volta e meia,fazia-lhes a poda drástica que manda a lei. Então, tirámos isso tudo e plantei pinheiros mansos... para que os meus netos , trá-lá-lá..
E havia um,bravo,no meio de outra colina que eu e o Avô deles andámos a "talhar" de feição para que eles, um dia, subissem como a uma gávea e de lá vissem, ao longe, o Castelo mais bonito de Portugal, o de Leiria, claro. Parecia uma escada grande para o céu. Passou a A8 e tudo se foi ...
Felicidade e melhor sorte para o "TEU" pinheiro de verde piño...