(Passei dias a tentar inserir estas duas fotos no sítio certo; como não consegui, ficam assim)
Depois, seguimos até Odeceixe, onde a família nos esperava para um excelente jantar num restaurante da terra. E aderimos à rotina diária: um bocadinho de praia, de manhã, almoço, descanso, novamente praia ao fim da tarde, jantar, conversa e dormida. Tudo muito sereno (tanto quanto é possível com crianças).
No domingo de manhã decidimos quebrar a rotina e não ir à praia. Há uma quinta relativamente perto de Odeceixe, onde uma alemã tem uns burros com os quais faz passeios. A nossa filha tinha o contacto e tentou marcar; não havia passeios de burro, mas podíamos visitar a quinta. Foi o que resolvemos fazer.
Lá nos dirigimos para o local indicado, onde, numa casa tipicamente alentejana, nos esperava uma enorme alemã (Sofia), muito simpática, com um filho de cinco anos. Serviu-nos uma limonada, mostrou-nos os burros e escolheu o mais velho - o "Picasso" - para ir fazer a visita à quinta connosco. Logo após o início da viagem, a Sofia apontou para a esquerda e disse: "este é o nosso tanque, onde vimos tomar banho". Trata-se de uma represa com um muro em cimento, relativamente largo e liso por cima, por onde o meu neto se enfiou de imediato. Atendendo à proximidade da água, segui para lhe dar a mão e, atrás de nós, veio toda a "comitiva", "Picasso" incluído. A certa altura dei-me conta de que o caminho não tinha saída, pelo que teríamos de voltar para trás. Feita a observação à Sofia, ela disse que teria de seguir com o "Picasso" para dar a volta, pelo que quem estava à frente dele teria de passar para trás. Dada a pouca largura do muro para efectuar a manobra, e porque tínhamos de passar ao lado do burro, a certa altura só vi o meu marido, que segurava a neta pela mão, cair de costas, arrastando-a para o lado oposto ao da água do tanque e, de imediato, o burro a cair-lhe em cima. Não imaginam a cena (que já nos fez rir muito, depois de passado o susto). De imediato a Sofia se atirou para o local, onde havia um pouco de água e lama, muitas silvas e outras plantas silvestres. Enquanto eu retirava o neto para não ver a cena, a neta era retirada pela mãe com a ajuda do avô, enterrado na lama, e a Sofia empurrava para cima o meu marido, que se agarrou ao muro e lá conseguiu sair. Arranhões por todo o corpo que estava à vista, em especial nos braços, feridas provocadas pelo raspão nas pedras e um estado de pânico eram evidentes na minha neta. O avô, já cá fora, todo arranhado, também, preocupou-se fundamentalmente com ela, como todos nós; como era domingo e o Centro de Saúde de Aljezur (o mais próximo) estava fechado, a Sofia chamou uma médica amiga, que chegou rapidamente, verificou a situação do pé da menina (ela queixava-se muito do pé, mas felizmente não estava nada partido) lavou os arranhões, retirou alguma terra deles e das feridas e recomendou que, em casa, se lavasse só com água e sabão, de forma a fazer sair a terra. Entretanto, todos fomos acalmando (avô e neta com a ajuda de umas gotinhas milagrosas) e lá fomos para casa, sem ver a quinta, mas com uma nova história para contar: "O avô, a neta e o burro" ou, numa perspectiva mais "artística": "O avô, a neta e o Picasso".
Para acabar, na 2ª feira à tarde tivemos conhecimento de que a minha irmã tinha partido um pé e ia ser operada, pelo que lá antecipámos o regresso a Leiria para essa noite, para tentar ajudar no que fosse necessário.
Acabou assim a 2ª etapa. Não sei se haverá 3ª...

