Hoje é dia da poesia. Por isso, lembro o meu mestre e poeta (a verde, porque é também dia da floresta).
Todo o tempo é de poesia.
Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia.
Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia.
Todo o tempo é de poesia.
Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos em sangue soçobram.
Vidas que a amar se consagram.
Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.
Todo o tempo é de poesia.
Desde a arrumação do caos
à confusão da harmonia.
sábado, 21 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
E tudo acabou de repente
No sábado, ao início da noite, recebi uma triste notícia. Faleceu um colega da minha turma de Coro do Conservatório Sénior. Hoje soube pormenores. Num estúpido acidente de viação, já perto da casa onde moravam, uma vida partilhada durante dezenas de anos acabou. Separaram-se. Ele, de imediato, partiu. Ela foi para o Hospital e ainda não sabe da perda.
Lembrei a 2ª feira do Carnaval deste ano, há cerca de 15 dias, em que ela desfilou, elegantemente vestida, numa "passagem de modelos" por mim apresentada, na Festa de Carnaval do Conservatório Sénior. Foi uma brincadeira em que ela representou a Daisy e que ele acompanhou e aplaudiu discretamente, mas vaidoso da sua Bina.
Que descanse em paz, colega Adelino.
Lembrei a 2ª feira do Carnaval deste ano, há cerca de 15 dias, em que ela desfilou, elegantemente vestida, numa "passagem de modelos" por mim apresentada, na Festa de Carnaval do Conservatório Sénior. Foi uma brincadeira em que ela representou a Daisy e que ele acompanhou e aplaudiu discretamente, mas vaidoso da sua Bina.
Que descanse em paz, colega Adelino.
A minha homenagem
Neste Dia Internacional da Mulher quero lembrar e prestar a minha homenagem à Cecília e à Leonilde, duas mulheres minhas amigas que aguentaram um longo sofrimento dos seus filhos até à sua perda definitiva.
Estendo esta homenagem a todas as que, como elas, passaram por este sofrimento maior e a todas as que, não se confrontando com o momento final, resistem à redução gradual das capacidades dos seus amados filhos.
São as minhas heroínas.
Estendo esta homenagem a todas as que, como elas, passaram por este sofrimento maior e a todas as que, não se confrontando com o momento final, resistem à redução gradual das capacidades dos seus amados filhos.
São as minhas heroínas.
sábado, 7 de março de 2009
Encontro esperado e inesperado
Sabia que o ia encontrar na 5ª feira. Mas, mais de 30 anos passados sobre o nosso primeiro encontro, como estaria? O que faria? A esta pergunta tive facilmente resposta ao ter acesso ao seu curriculum vitae. É hoje juiz; aplica o Direito, especificamente na área da Família e Menores. Está no sítio certo, pensei.
Conheci-o menino, excelente aluno, no sentido que dou à expressão. Não tinha apenas boas notas, era educado, sensível, criativo, solidário, enfim... Decerto teria os seus defeitos, mas não consegui aperceber-me deles naquele já longínquo 76/77.
Ele não sabia que eu estava lá. Vi-o à distância, homem feito, já quarentão, com salpicos de branco nos cabelos. Fui ao seu encontro. Quando me viu, abriu ainda mais os seu expressivos olhos e manifestou uma alegria que fez aquele momento, por mim esperado, ainda mais emotivamente denso. Relembrámos, depois, durante um jantar, cenários e personagens que fizeram parte da peça de que também fomos actores, representada no Teatro 9J, no ano do nosso primeiro encontro. Foi bom!
Há professores que deixam marca nos seus alunos. Mas, como já tive oportunidade de afirmar noutra ocasião, há também alunos que marcam os professores para toda a vida. Ele foi, para mim, um deles. Por isso, a minha vontade de o reencontrar. E agora que o consegui, não o vou perder de vista. Vou espreitá-lo, de vez em quando, ao jardim onde ele tem uma das flores de que mais gosto - a magnólia.
Conheci-o menino, excelente aluno, no sentido que dou à expressão. Não tinha apenas boas notas, era educado, sensível, criativo, solidário, enfim... Decerto teria os seus defeitos, mas não consegui aperceber-me deles naquele já longínquo 76/77.
Ele não sabia que eu estava lá. Vi-o à distância, homem feito, já quarentão, com salpicos de branco nos cabelos. Fui ao seu encontro. Quando me viu, abriu ainda mais os seu expressivos olhos e manifestou uma alegria que fez aquele momento, por mim esperado, ainda mais emotivamente denso. Relembrámos, depois, durante um jantar, cenários e personagens que fizeram parte da peça de que também fomos actores, representada no Teatro 9J, no ano do nosso primeiro encontro. Foi bom!
Há professores que deixam marca nos seus alunos. Mas, como já tive oportunidade de afirmar noutra ocasião, há também alunos que marcam os professores para toda a vida. Ele foi, para mim, um deles. Por isso, a minha vontade de o reencontrar. E agora que o consegui, não o vou perder de vista. Vou espreitá-lo, de vez em quando, ao jardim onde ele tem uma das flores de que mais gosto - a magnólia.
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